A displasia do quadril em adultos é uma alteração no desenvolvimento da articulação em que o acetábulo (estrutura da bacia que deveria recobrir e estabilizar a cabeça do fêmur) apresenta formato raso ou incompleto. Essa deficiência estrutural leva a uma distribuição inadequada da carga e, com o tempo, pode provocar desgaste precoce da cartilagem, dor e limitação dos movimentos.
Embora muitas vezes a condição tenha origem ainda na infância, há casos em que os sintomas só se manifestam na vida adulta, quando a sobrecarga funcional se torna mais evidente em atividades do dia a dia ou esportivas. Entre os sintomas, a dor na região da virilha é o mais relatado pelos pacientes, geralmente agravada por esforço físico ou longos períodos em pé, e aliviada com o repouso. Algumas pessoas percebem estalos ou sensação de travamento no quadril, que podem indicar lesões associadas no lábio acetabular ou na cartilagem. Em situações mais avançadas, pode ocorrer claudicação (mancar), encurtamento aparente de uma das pernas e redução progressiva da amplitude dos movimentos. Esses sinais não devem ser ignorados, pois tendem a piorar com o tempo e estão frequentemente associados à evolução para artrose quando não tratados adequadamente.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico começa pela avaliação clínica detalhada, em que o médico investiga histórico de dor, limitação funcional e eventuais episódios de instabilidade. O exame físico pode revelar limitações nos movimentos ou dor à mobilização do quadril. Para confirmação, exames de imagem são fundamentais: a radiografia da pelve permite avaliar a cobertura acetabular e medir índices específicos que ajudam a caracterizar a displasia, enquanto a ressonância magnética contribui para detectar lesões associadas, como rupturas do lábio acetabular e alterações da cartilagem.
Essa investigação completa é essencial para definir a gravidade da condição e o tratamento mais indicado, que varia de acordo com a idade do paciente, o grau da displasia e a presença de lesões associadas. Em casos leves, medidas conservadoras como fisioterapia, fortalecimento muscular, controle do peso corporal e ajustes nos hábitos de atividade física podem ajudar a aliviar os sintomas e preservar a função.
Nos quadros moderados em adultos jovens, uma das alternativas é a osteotomia periacetabular (PAO), procedimento cirúrgico que reposiciona o acetábulo, melhorando a cobertura da cabeça femoral e reduzindo a sobrecarga articular. Já em pacientes mais velhos ou quando há degeneração avançada da articulação, a artroplastia total de quadril (substituição da articulação por uma prótese) pode ser indicada para devolver qualidade de vida.
Por que realizar a cirurgia?
O grande objetivo é aliviar a dor, preservar a mobilidade e retardar o desgaste articular. O acompanhamento precoce é fundamental, pois quanto antes a displasia for identificada e tratada, maiores são as chances de manter a articulação saudável e evitar procedimentos mais complexos no futuro. Cada paciente deve ser avaliado individualmente, levando em consideração idade, nível de atividade e estágio da doença.
Se você sofre com esta condição, conte comigo para um tratamento personalizado, buscando oferecer não apenas alívio dos sintomas, mas também a manutenção da qualidade de vida a longo prazo.
Eduardo Goulart | Ortopedia e Traumatologia
CRM GO 18038 | RQE 11811


